Comentário afixado no blog Whiteponycab de Isabel Carvalho!"
Ninguém tenha grandes ilusões: não se sobrevive muito tempo nesse estado de graça e "reinventar" a postura alternativa exige um cada vez maior golpe de asa. Quem se achar à altura ou encontrar em si a bravura, by all means, boldness in the attack. "
Jack LecrakAqui estamos para isso amigo.
"Olha quem ele é! Agora é que isto vai dar para o torto..."
Sim, sim... caríssimos amigos, sou mesmo eu... Qual João Fernandes? Qual Isabel Carvalho?! Agora sou eu. Para já podem arrefecer essa euforia e prestar atenção, se fizerem o favor, que eu quero falar.
Já há algum tempo que não dedicava tempo a textos, mas estas torrentes de comentários, são fenómenos raros e raramente me deixam indiferente. Esta então! É demasiado tentadora para deixar passar ao lado. Que grande público tenho... E como isto já está pela hora da morte aqui fica o meu contributo para acabar de vez com as participações, e para ao mesmo tempo propor um tempo indefinido de reflexão aos que me lêem. Para quem não me conhece, o meu nome é João Alves Marrucho, filho de José Albino Alves Marrucho e de Maria do Céu Antunes Martins, irmão de José Pedro Martins Marrucho. Sugiro um Google ao meu nome para saberem com quem se metem nestas andanças. Mas chega de introduções, e psst, tu lá atrás, se quiseres rir, conta aí a anedota para toda a gente se rir ou então sai da aula e deixa trabalhar quem sabe.
Então juntam-se à conversa sobre estas coisas e não avisam? Típico. No mínimo um e-mail pessoal! Antes o Zé Maia ainda me encaminhava, mas depois deixou-se disso, ele é contra a privatização da cultura e receia certamente que lhe apronte alguma em público. Já lhe tentei explicar que a cultura existe sem ser ordenada pelo estado, mas o homem teima em não aceitar o facto. Sem rancores. A sério! Fico mesmo contente por poder ler estas coisas aqui. Alguém comentou que a próxima geração de artistas portugueses se há-de insurgir contra a que por enquanto é documentada. Permitam-me então que a introduza, mas sem muito mais espectativas. Só o eterno presente o diz. Ante-ontem um dos poucos artistas que se prentende inserir de modo afirmativo nestas rambóias, durante um ensaio de campo para um filme sobre a minha pessoa, disse-me que andava a ler o blog errado. Só a muito custo lhe consegui sacar as indicações sobre como vir aqui parar. "-Faz uma pesquisa a Isabel Carvalho, logo em cima encontras. Agora não me lembro do nome do Blog, mas é dos primeiros." Num queria dizer o sacana. Típico. Agradeci. Ontem fiz noitada a ler atentamente todos os comentários e foi com base neles que redigi o meu.
Parece-me que a discussão, ao contrário do que foi escrito ali para trás, decorreu em tom mais do que aceitável. Por isso, pessoal, deixem-se piquinhices e admitam que a discussão vai num nível relativamente exigente.
Se bem me lembro a questão inicial era: O que significa ser um bom artista em Portugal? Significa no mínimo saber Inglês fluído, sem ironia. Verdade seja dita, nunca vi ninguém a queixar-se do Calgonit Power Ball com Protector Action e Protective Skin. Se é quadros e desenhos valiosos, implica-se... se é comunicação para massas, deixa-se andar. Isabel, para próxima quero isso em francês e com direito a uma Lap Dance. Ok? Dou-te dois euros e ficamos quites.
Apareceram algumas tentativas de resposta. Vou agarrar em algumas porque as julgo dignas de retorno e porque me permitem estabelecer um fio condutor ao meu discurso.
A Lígia disse:
"
Não há meios termos, ou se resiste ou não - é a lei do mais forte, irónico darwinismo capitalista adaptado ao mundo das artes."
Apesar de realista, nesta afirmação admites com demasiada dificuldade a que me parece ser a solução mais viável para que possa continuar a existir espaço para as experiências artísticas nossas contemporâneas. A assunção do capitalismo liberal como amigo. Empresas de Arte. Estamos demasiado presos aos lugares comuns dos discursos sobre as "artes de ponta". Além destas descrições bem representativas, que tal pesarmos a sério sobre soluções igualmente integradas e realistas? Estamos num país paupérrimo e não nos podemos dar ao luxo de gastar muito com as mais finas artes.
"
A diferença para outros países (...)é que tanto o Estado como os privados se encontram numa posição, e com mais vontade, de reconhecer e de apoiar os projectos culturais. Os apoios são em maior número e mais diversificados, em exposições, bolsas, residências artísticas, e um largo etecétera."
Quanto aos apoios privados, concordo que existam vontades e meios.
No entanto, neste tipo de discussões não podemos confundir vontade com poder económico assim com nunca podemos confundir cultura com Belas-Artes. Mas, Lígia, percebe-se onde queres chegar. O apoio às artes mais extravagantes na Europa, revela-nos facilidades para os artistas que lá trabalham, que também gostaríamos de ter.
Relativamente à acção do Estado: É óbvio que o Governo português tem que ter prioridades e, como é compreensível, a saúde, a educação, a acção social, as vias de transporte e comunicação de massas, podem ser consideradas mais importantes. Questões de sobrevivência... E se for necessário (espero sinceramente que nunca aconteça) cortar radicalmente todos os apoios aos museus e teatros para que quando estiveres doente e com fome possas ter um sítio decente, transporte ecológico gratuito, e uma estrada para lá chegar sem buracos, ao lugar onde te recompores. Ou tenhas internet gratuita em todo o lado, não preferirás abdicar das exposições e das peças de teatro financiadas pelo contribuinte? Afinal de contas, não são os impostos dos actores e utentes dos teatros (amigos dos actores e dos encenadores) que pagam as contas da luz do Teatro Carlos Alberto. São os dos nossos papás que nem 20 dias de férias têm para ver a 365 peças de teatro por ano. Os tempos mudaram e a cultura com eles. Acho que isto pode mesmo ser considerado um pensamento de direita pelas definições que por aí aparecem mas, caramba, é por direitos básicos. Ou é só impressão minha? Eu fui formado nas Belas-Artes e sei bem o que custa apresentar esta cara de aparente arrogância na recusa das ajudas. Assim, nos próximos tempos, o nosso papel poderá ser mais virado para a intervenção com fins lucrativos (sem esquecermos o bem que podemos trazer ao ambiente que nos envolve) do que para uma subsídio-dependência que garanta liberdade às nossas bizarras representações e apresentações escanifobéticas.
Para ver se estava a dizer algo com sentido acabei de colocar a seguinte questão a uma amiga com que estou agora:
Se hoje vivêssemos numa ditadura cultural global e fosse exigida à população mundial um voto único e acerca da literatura (Letras a título de exemplo), em qual das seguintes opções votarias:
1ª—Fazemos desaparecer toda literatura que não seja manual escolar, manuais de instruções, ou textos sobre suporte digital, (entenda a erradicação completa de todos os livros que não sejam pedagógicos e a desactivação total da Internet)
2ª—Ou fazemos desaparecer todos os livros que sejam manuais escolares, manuais de instruções e a Internet?
A resposta dela (foi a segunda) é representativa do egoísmo que as classes instruídas tentam esconder, cada vez com mais dificuldade (porque o Saber ainda anda de mão dada com o Poder): "Obviamente que preferia que mantivessem o livros que não são manuais escolares, manuais de instruções ou que não estejam na internet!" Fiquei triste porque ela prefere ler o seu livrinho do Perec do que garantir que a aprendizagem da leitura seja feita mais facilmente. Artista de formação... Licenciada dentro em breve... Esse impedimento à livre reformulação cultural, é em meu ver tão mais perigoso do que qualquer ideia de direita referente à auto-sustentablidade das artes! Preferir os Snoopys aos blogues! Como pode ser tão óbvio?
Isso significaria um total atraso na evolução da nossa sociedade e não podemos ficar presos a modelos tão arcaicos.
Aproveito para afixar e tentar responder à pergunta da Aida: "Achas que os artistas querem mesmo trabalhar, ser “artista trabalhador”, a tempo inteiro?" Eu acho que não estão muito para aí virados, porque a educação artística portuguesa pós 25 de Abril armou-se de clichés de esquerda, fechou-se em copas e, então, não acreditam muito nessa solução. Pensa-se sempre que é um esquema estranho que só para atingir riqueza pessoal velozmente. Já gozaram os gajos do Grande Prémio de Desenho "Crie a sua própria empresa", mas contas feitas, ninguem tem outra saída.
A solução Holandesa?
"...a Holanda tem um contexto artístico incrivelmente dinâmico, com espaços geridos por artistas, residências (estas de extrema importância para os contextos pois determinam um mobilidade e crescimento dos artistas) espaços intermédios financiados pelos municípios, ou fundos nacionais, fundações, instituições -- (não menciono galerias comerciais - sei - mas daí normalmente vem pouca inovação ou discussão para o discurso artístico - regra geral, não quer dizer que não haja excepções)..."
Eu também lá estive uns meses e achei tudo demasiado cor-de-rosa. E uma grande seca, mesmo. Voltei a Portugal porque ainda é bom poder evitar aquilo em que eles se tornaram, um país sem identidade alguma, com tudo organizado ao ponto de não precisarem de sair de casa para resolver os problemas com os amigos.
O exemplo MaqueDonaldizante, (eles próprios se figuram como campo de ensaio dos mercado americano) da Holanda apontou numa direcção que pode muito bem conter os princípios de algo positivo. No entanto falhou em muitos aspectos! A Neederladse Spoorwagen (CP lá do sítio), por exigência dum investimento público na arte, estampa réplicas de Mondriãs no interior das carruagens. Os problemas mantêm-se e muitos putos andam insatisfeitos por lá. Aqui Empresas de Arte precisam-se, dirigidas por artistas-comissários. Empresas de Arte precisam-se. Sem ironia alguma. Auto-suficiência precisa-se. Ainda exemplificando com a Holanda, é normal existirem, mesmo em pequenas cidades, "lojas" de aluguer de arte.
A questão das bolsas de investigação:
"Penso que o apoio às artes, ao trabalho criativo, estará mais perto de uma espécie de “bolsa de investigação”."
Olha que esta! agora!! Como pode ser considerado o processo artístico uma investigação, se raramente se propõe e, na maior parte dos casos, recusa mesmo chegar a alguma conclusão. E mesmo que o Estado caísse na nossa esparrela, como disse a Maria Assis: "Olhem o que está a acontecer aos nossos investigadores, a partir dos 38 aninhos estão fodidos, não há bolsas nem programas comunitários que lhes paguem o ordenado..c'est la vie, a sociedade tardo-capitalista é assim."
A meu ver, o significado, o papel e o resultado/obra do artista contemporâneo português não poderá contornar por muito mais tempo a profissionalização. Se queremos poder, temos que ter responsabilidade. A residência artística, por exemplo, será bem mais viável assim que os artistas percebam alguma coisa de economia, a partir do momento em que o artista contemporâneo português descubra que para sobreviver tem de produzir e viver dos rendimentos dessa produção. Se não encontrar modo inteligente e/ou belo de o fazer pode sempre dedicar-se aos galos de Barcelos coloridos com cores neon, e abrir uma loja de artesanato contemporâneo! Porque não? É relativamente seguro, garante algum retorno monetário, e fica bem em qualquer lado. No campo da música, funcionará às mil maravilhas, convidas um tipo de quem gostas do trabalho, dás-lhe guarida e um estúdio improvisado, e em troca, ele dá um concerto, fazem-se uns trocos e deixa-te um álbum para venderes.
A dura verdade é que grande parte das tipologias de arte está a ficar em desuso. O que aconteceu à Ópera, não tardará a acontecer ao Teatro, e mesmo às Artes Plásticas se nós não admitirmos trabalhar fora dos formatos antigos.
Concordo em parte com o que o João Fernandes disse aqui: "Há uma falta de estratégia para a cultura por parte do poder político e cultural em Portugal, seja ele nacional ou autárquico. Uma das suas faceta mais visíveis é a falta de apoio aos jovens criadores em todas as áreas culturais." Mas deixem-me esclarecer esta falácia com que que o Diretor de Cerralves nos pretendeu seduzir. Uma das facetas mais visíveis dessa estratégia são os crescentes cortes orçamentais à cultura erudita. Olhe, João, a importância dada aos projectos relacionados com as novas tecnologias de comunicação, subiu drasticamente, nos últimos anos. Têm feito algumas coisas despropositadas, como o TGV, que nos leva a Madrid por 20 ou 50 euros em quatro horas, quando hoje já conseguimos ir e voltar de avião em pouco mais que uma hora, por 25 euros (low cost). Já agora, tenho quase a certeza que a Mafalda deve ler isto: Porque é que não dizes ao Ministro das Finanças para falar com o da Educação para inserir a disciplina de Introdução à Economia no último ano todos os cursos secundários, Artes, Ciências, Humanidades, Informática... Salazar, o grande economista, pior, o grande protuguês guardou as contas para ele, e 35 anos depois ainda saímos da escola sem saber o que é o IRC, ou como preencher um recibo verde! Sem ofensa alguma pessoal mas, caros amigos, é nesta a classe artística em que vivemos, dominante, mas sem acção que vá para além da Arte enquanto disciplina encerrada nas suas próprias possibilidades.
Sobre isto:
"O que vos preocupa não é tanto a visibilidade, mas antes o reconhecimento e a consagração. Ora perdoem-me que vos diga que considero que estas três questões deverão surgir como consequência natural da especificidade de uma obra, ou então de muito pouco vos servirão."
Caríssimo, desconhece o meu trabalho. Não o censuro, porque como vocemessê há muitos. Mas "is it so wrong to crave recognition"? Eu ando a exigir isso aos meus amigos e às pessoas próximas que usam o meu trabalho. Tem que ver com transparência. Ao contrário do que me parece ser a postura de muito boa gente, não lho peço a si, porque sei, não tem essa competência, e muito menos me parece apresentar a solução. "A cultura gerada em pequenos círculos sociais (marginalizados e punidos por essa expressão cultural) acaba por nos ser servida para consumo." E eu já estou farto dessa treta. Peço antecipação para que a sirvamos nós próprios. Ou pensa que quero uma canequinha ilustrada com as minhas engenhocas vendida por aí (post-imigração ou mesmo pós mortum). Congratulo-o por toda a atenção que tem dedicado à malta. Se calhar até é suficiente para o que gente quer. Uma salinha no Museu? Ou um pic-nic nos jardins da Fundação?
E já agora, não lhe posso deixar passar o seguinte comentário sem um reparo pessoal:
"fórmulas tão estafadas como o fanzine, a ilustração de vaga referência “underground”, a ironia grosseira sobre a arte, a performance que não adianta um chavelho a uma história da performance rica em situações de provocação sexual, política e estérica que as vossas parecem apenas caricaturar."
Não pense que os fazedores de fanzines estão preocupados com a brava história da perfomance rica em provocações sexuais, políticas e estéreis! A cena é que a fanzine é um formato barato! De execução rápida e para esta gente que nós hoje somos, escrever, fixar, publicar em suporte físico ainda é muito importante, como certamente o é para si. São os processos de auto-legitimação a que até as instituições como os museus recorrem. Ou não tivesse Cerralves metida na agenda editorial, aliás, na prateleira, de tudo quanto é ministro e figura pública.
"No entanto, as águas não deixam de estar turvas: perdoem-me que vos diga desde já, caros(as) artistas"
Pois sim. Pois sim. Mas cada vez menos.
"Com a experiência que tenho de situações semelhantes, asseguro-lhe que este meio não é o melhor para se manter uma discussão com interesse e relevância."
Isabel Carvalho
Pshht. Quieta aí senhora. Deixa aqui estar isto que está muito bem! E já agora o que é esta coisa?
"Tenho quase a certeza que estamos de acordo que mais espaços de exposição, diversos, com estruturas organizativas semelhantes às galerias culturais, aos Museus, aos Centros Culturais, aos espaços geridos por artistas, ou com novas estruturas, talvez concebidas por nós, seriam muito importantes para todos."
Parece interessante mas explica melhor por favor.
Algumas citações mais ou menos pertinentes e devidos comentários:
"Porque desvaloriza joão fernandes os "artistas locais" ao mesmo tempo (literalmente) que lança um livro (posição: 2007) com o selo de serralves sobre os mesmos?"
Lord Shaftesbury
O desvalorizar num sei se concordo, mas o livro será porque hoje a história se escreve em tempo real e é preciso documentar.
"...não me parece que um artista "alternativo" possa, por este título apenas, posicionar-se num jogo da glória moral. A contribuição que faz é de sua exclusiva responsabilidade e estará sujeita ao escrutínio do tempo como qualquer outra - em retrospectiva, apresentar-se-á em igualdade de circunstâncias com os "consagrados". Talvez seja ingénuo pensar assim..."
Jack Lecrak
Pois é ingénuo, sim senhor. E de novo repito, a história hoje escreve-se em tempo real, e se nós já pouco escrevemos sobre os consagrados, quem nos virá escrever?
"A liberdade que os espaços alternativos no Porto nos deram é preciosa e única.
Julgo que se está a marcar uma diferença significativa relativamente ao resto do país e da Europa."
Anonymous
"como em tudo na vida... há os que esperam por boleia e os que se fazem ao caminho. A nenhum destes agrada a opção do outro, mas isto só se torna um problema quando não há mundo suficiente para todos. How often do you want your fifteen minutes?"
Anonymous
"k 15 minutos?! aki ninguem ker 15 minutos? aqui so se ker melhorar as coisas e isso implica dizer, eu tou aki, eu existo, e logo torna-se necessario o uso da palavra visibilidade. akela k fica à espera no seu buraco caladinho bem k apodrecer so k nem um cão. nem fora sabeis ser!"
Mauro
Mauro! A metáfora é boa e didáctica. Num futuro muito próximo, toda gente pedirá 15 minutos de anonimato!
"Estamos na periferia da periferia, e temos consciência da nossa posição, no entanto não foi por isso que se deixou de fazer mais e de tentar o melhor. Provavelmente surgiu o momento de dizer que estamos atentos."
Isabel Carvalho
Mais que isso, chegou o momento de agirmos responsavelmente. A periferia está na moda, aproveita.
"vejo pouco discutir-se o papel e o lugar da arte, de uma forma pragmática. Não estou a falar de discursos estéreis sobre "o que é a arte?", mas sim do papel de uma arte comprometida e, principalmente, da sua eficácia. Porque a mim, sinceramente, é o que me preocupa."
Catarina
Finalmente a melhor arte está a passar a assumir o seu papel comunicativo e transparecer os seus processos. O ghetto ganha com isso.
Assim findo,
Parabéns a todos os que participaram nesta discussão.
Com os melhores cumprimentos,
João Alves Marrucho